PF deflagra Operação Slim contra produção clandestina de remédios para diabetes e emagrecimento
A Polícia Federal desarticulou uma estrutura irregular dedicada ao fracionamento e comercialização clandestina de tirzepatida, substância presente no medicamento Mounjaro. A ação ocorreu em quatro estados.
A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira a Operação Slim, voltada a interromper a fabricação e distribuição clandestina de medicamentos utilizados no tratamento de diabetes tipo 2 e no controle de peso. A investigação identificou um grupo que atuava de forma irregular na aquisição e manipulação da tirzepatida, princípio ativo do remédio Mounjaro, da farmacêutica Eli Lilly.
Segundo a PF, o esquema envolvia profissionais da saúde, estabelecimentos comerciais e intermediários responsáveis por vender os produtos diretamente a consumidores, sem qualquer garantia de segurança ou procedência.
Mandados em quatro estados e estrutura irregular de produção
Foram cumpridos 24 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Bahia, Rio de Janeiro e Pernambuco. Em diversos locais, a polícia encontrou ambientes usados como laboratórios improvisados para manipular e envasar os produtos.
Os materiais eram vendidos como alternativa ao medicamento original, mas sem controle sanitário, sem validade clara, sem informações de lote e, principalmente, sem condições de esterilidade.
A PF também identificou que o grupo mantinha uma rede organizada para distribuir os frascos por meio de clínicas, consultórios e redes sociais.
Riscos à saúde e falta de controle sanitário
A tirzepatida é um medicamento de uso controlado e exige acompanhamento médico rigoroso. Quando produzida de forma clandestina, a substância pode apresentar:
- dosagem incorreta do princípio ativo;
- ausência de esterilidade;
- contaminação por fungos ou bactérias;
- risco de reações graves, como hipoglicemia intensa e alterações cardíacas;
- perigo de falhas terapêuticas e efeitos adversos imprevisíveis.
Profissionais da área alertam que medicamentos aplicáveis por via injetável nunca devem ser produzidos fora de condições controladas e sem certificação da Anvisa.
Esquema envolvia lucro alto e distribuição irregular
A PF informou que a venda dos produtos movimentava valores significativos. A tirzepatida clandestina era ofertada como “versão mais acessível” do Mounjaro original, atraindo pacientes em busca de emagrecimento rápido.
Além dos insumos e frascos, foram apreendidos bens de alto valor. A polícia também identificou movimentações financeiras suspeitas que podem indicar práticas de lavagem de dinheiro.
Crimes investigados e continuidade das apurações
Os investigados devem responder por crimes como:
- falsificação e adulteração de produtos terapêuticos;
- associação criminosa;
- crimes contra a saúde pública;
- lavagem de dinheiro.
As amostras apreendidas serão encaminhadas para perícia. Já documentos e mídias recolhidos durante a operação vão auxiliar no rastreamento da origem da matéria-prima, da rota de distribuição e dos envolvidos.
A PF não descarta novas fases da Operação Slim.




Leave a Reply